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Razão e sentimento: a influência de cada um na busca do seu zivug

Nós, seres humanos, somos uma mistura de emoções e pensamentos. Mas qual deve ser a influência da razão e do sentimento na busca do zivug? Será que você deve se deixar guiar pelo intelecto ou apenas pelas sensações que a pessoa desperta em você?

Uma das chaves para o sucesso encontra-se no equilíbrio inteligente entre razão e emoção.

É claro que você deve considerar as suas emoções, mas a razão precisa ser a mediadora da intuição e dos sentimentos. Com a razão, você terá capacidade de ponderar os pontos positivos e negativos, reduzindo consideravelmente o risco na busca pela sua alma gêmea.

Que risco? O risco da decisão impulsiva e irracional, que pode resultar em uma escolha equivocada, D’us não permita.

Química x caráter 

É verdade que a química acende o fogo, mas saiba que o bom caráter é que o mantém aceso.

Muitos falam: “Estou apaixonado!”. Tenha cuidado. O “estar apaixonado” frequentemente significa “sinto atração física”.

E a atração física não deve ser confundida com amor verdadeiro. Este vem de uma visão compartilhada do mundo, valores comuns e o compromisso de formarem juntos uma família.

Em vez de focar na atração, pare e pense: você averiguou cuidadosamente o caráter dessa pessoa?

Há quatro traços de personalidade que precisam ser testados:

Humildade: essa pessoa acredita que “fazer a coisa certa” é mais importante do que o conforto pessoal?

Bondade: essa pessoa gosta de ajudar os outros? Como ela trata as pessoas com as quais não tem de ser agradável? Ela faz algum trabalho voluntário? Faz caridade?

Responsabilidade: posso confiar que essa pessoa fará aquilo que diz que fará?

Felicidade: essa pessoa gosta de si mesma? Ela aprecia a vida? É emocionalmente estável?

Após avaliar esses pontos, também é importante você se perguntar: eu desejo ser como essa pessoa? Quero ter um filho com ela? Gostaria que meu filho se parecesse com ela?

Metas de vida em comum e prioridades 

Casal sorri ao conversar em uma escada: marido e mulher devem ter metas de vida em comum e prioridades

Existem três formas básicas de nos conectarmos com outra pessoa: química e compatibilidade; partilhar interesses em comum e ter o mesmo objetivo de vida.

Para saber se a pessoa é realmente o seu zivug, tenha a certeza de que vocês compartilham dos mesmos ideais.

Essa é a verdadeira definição de almas gêmeas: são duas pessoas que compartilham o mesmo entendimento ou propósito de vida e, portanto, possuem prioridades, valores e objetivos similares.

É lógico que nunca você vai achar um clone, alguém que pensa exatamente igual a você. Contudo, deve existir mais afinidades do que diferenças e, principalmente, interesse e esforço em equilibrar as diversidades e harmonizar o que pode causar uma zona de atrito.

Conexão emocional 

Outro ponto muito importante a ser analisado é saber se você tem ou não uma profunda conexão emocional com a pessoa com quem está se relacionando. Pergunte a si mesmo: “Respeito e admiro essa pessoa?”.

Estabelecer uma conexão emocional não significa estar impressionado por essa pessoa.

A conexão emocional é o “adesivo” que existe nos relacionamentos que enriquecem. Ela alivia as inseguranças e cria uma relação significativa.

Pense bem: será que você confia nessa pessoa? Ela é emocionalmente estável?

Se vocês realmente estiverem emocionalmente conectados, construirão uma relação forte e repleta de confiança e respeito.

Segurança emocional

É fundamental que você possa manter, integralmente, a sua personalidade quando estiver com essa pessoa. Se perto dela você se sente calmo, relaxado e em paz, é um ótimo sinal!

Por outro lado, caso sente que precisa monitorar aquilo que diz porque tem medo da reação dela, muito cuidado!

Se você tem receio de expressar abertamente seus sentimentos e opiniões, então há um problema.

Outro aspecto relacionado a sentir-se seguro é que você não sente que a outra pessoa está tentando controlá-lo.

Controlar comportamentos é sinal de uma pessoa abusiva. Esteja atento para alguém que está sempre tentando modificá-lo.

Há uma grande diferença entre “controlar” e “fazer sugestões”. Uma sugestão é feita para seu benefício, enquanto que uma declaração de controle é feita para o benefício de outra pessoa.

Desenvolva o amor

Não existe príncipe encantado ou princesa, muito menos “e viveram felizes para sempre” sem esforço.

Há milhares de anos, o nosso povo ficou “noivo” de D’us no Monte Sinai e, desde então, temos desenvolvido esse relacionamento.

Por isso, cuidado para não “se apaixonar” de olhos fechados. O objetivo é ascender no amor com total consciência do Divino potencial entre vocês.

Se você mantiver suas prioridades e objetivos em mente, com a ajuda de D’us, encontrará alguém a quem possa amar e crescer junto, assim como dar e receber amor por toda a vida!

A perspectiva judaica sobre namoro e casamento

Pode acontecer com qualquer um que esteja procurando por um relacionamento sério: com quem devo me casar? Por que se casar? Posso namorar antes de casar-se?

Essas dúvidas certamente passam pela cabeça da maioria das pessoas que estão em busca de seu zivug, sua alma gêmea.

Para todas essas perguntas, fique tranquilo! Nós podemos ajudar.

A preocupação natural da maioria dos seres humanos em se casar, em ter um companheiro para toda a vida, revela profunda ambição da alma: a vontade de se relacionar com sua outra metade.

Ou seja: cada corpo é ocupado por meia alma. Corpo e alma atingem o status de perfeição quando se conectam, definitivamente, com seu almejado zivug.

Fora isso, tem outro motivo mais tradicional e conhecido: é mitsvá não só se casar, como também construir um lar judaico, ter filhos.

Sendo assim, a gente não somente espera por nosso príncipe encantado, ou nossa rainha, nós o/a procuramos de forma ativa.

Tem idade ideal para começar a busca pelo seu zivug?

Na verdade, essa busca não tem uma idade certa. Este conceito é bem individualizado. Pode ter início aos 18 anos de idade, quando, pela lei civil, nos tornamos adultos.

Vale ressaltar o princípio de que a pessoa não deve se preocupar em demasia com eventual falta de recursos financeiros, já que D’us, sem dúvida alguma, sustenta todas as criaturas; Ele pode e irá prover o sustento e a estabilidade para mais uma família!

O mais importante é: com certeza, a pessoa com quem você irá se casar tem que ser compatível com você, com sua personalidade e necessidades específicas.

A perspectiva judaica sobre casamento

Judeus se casam entre si, seja judeu com judia de nascimento ou prosélito que tenha abraçado a fé! Isto é um fato prescrito na Torá.

O matrimônio judaico é a união de duas almas, para quem é confiado a missão de dar continuidade ao extenso elo de conexão com D’us iniciado muito tempo atrás com o patriarca Abraão e sua esposa Sara.

A decisão quanto a este assunto é fundamental para manter o compromisso com a continuidade do nosso povo ou vir a quebrar esta corrente.

Um relacionamento exige que a mente faça seu julgamento em uma área que, normalmente, pertence ao coração.

O casamento não só é uma das maiores bases do judaísmo, como também da existência humana. É ele que nos possibilita construir uma família, algo de intenso valor, pelo qual vale muito a pena lutar.

É um dos princípios mais importantes da Torá que afirma que uma mulher e um homem

têm que se casar a fim de que forme uma família, cresça e se multiplique.

Os segredos para ter um casamento feliz

Homem e mulher sorriem durante encontro em um bar: saiba os segredos para ter um casamento feliz!

Todo mundo almeja ter o seu amor, quer amar e, de volta, ser amado, sonha em encontrar seu par perfeito e viver feliz.

Porém, vivemos em uma época na qual diversos casamentos não dão certo, em que os índices de divórcio são bastante altos e em que muitas pessoas permanecem casadas, sem serem felizes.

É evidente que a maioria dos seres humano têm suas dúvidas: irei casar-me com a pessoa certa? Quais desafios terei na vida a dois?

A resposta a esta pergunta deve ser: além de sermos otimistas, sabemos que podemos com nossas ações vencer todo e qualquer tipo de obstáculo.

Um casamento feliz obviamente é definido pelo compartilhamento de emoções.

Do mesmo modo, um dos segredos de um casamento bem-sucedido é a capacidade de enxergar o companheiro com o coração, de apreciar o outro e as diversas bênçãos que a vida proporciona.

A felicidade é a capacidade de observar as coisas de maneira positiva.

É, também, minimizar o que é temporário e sem importância, e concentrar-se no que é real e eterno.

No matrimônio, um casal não se deve ater no que é transitório, que deixará de existir ou se transformará, mas sim naquilo que irá perdurar: os valores do companheirismo e amor sincero, a construção de uma família, a criação das gerações futuras.

Sua casa deve ser um porto seguro

Quem vive desacompanhado se desobriga, não precisa fornecer parte do seu tempo ao outro, não se preocupa com os demais e nem suporta seus problemas.

Contudo, viver só também quer dizer ter uma vida sem amor, companheirismo e felicidade.

Aquele que casa, mas pensa somente em si, provavelmente não terá um matrimônio feliz.

O casamento representa um compromisso, com a vida, com o passado, o presente e o futuro.

Para que essa união funcione, marido e mulher têm que desejar se doar um ao outro e saber quando renunciar às coisas em benefício do seu cônjuge.

Se a pessoa quer ter a paz em sua casa, ela deve lutar para introduzi-la. Este sentimento não entra sozinho.

O lar deve ser um refúgio de paz e não um lugar de conflitos e preocupações.

Quando alguém chega em sua casa e vê que lá não existe paz, cabe a ele ser a fonte de mudança.

O lar deve ser um local de aconchego, um porto seguro, onde devem prevalecer a harmonia, a paz e o amor.

A DEFINIÇÃO JUDAICA DE AMOR

De acordo com o judaísmo, o amor é medido segundo o que estamos dispostos a fazer por outra pessoa.

Ou seja, o quanto nos dispomos a nos doar e investir no nosso companheiro.

O matrimônio significa abrir espaço dentro de si mesmo para permitir que o outro entre.

É o amor que fornece lugar para que o seu semelhante possa integrar a nossa vida.

O amor verdadeiro não é egoísta: ao contrário, ele se declara quando a pessoa esquece de si mesma e pensa no outro.

O Rebe de Lubavitch, de abençoada memória, ensinava que o amor significa não poder viver sem o seu amado.

Trata-se de uma alma completando a outra.

Na verdade, é a mesma alma, em dois corpos diferentes que se unem, oficialmente, sob um pálio nupcial.

Um homem não está completo sem uma mulher, e vice-versa.

É o nosso cônjuge que complementa a centelha Divina dentro de nós.

Casar-se significa unir-se à nossa metade, que reside em um corpo diferente.

O casamento é, simplesmente, a reconexão de duas partes que formam uma unidade.

Quando a Torá nos detalha o casamento como uma união entre um homem e uma mulher que se tornam uma só carne, está nos afirmando qual o segredo de um matrimônio feliz: somente quando homem e mulher se tornam verdadeiramente e apenas um, eles podem viver felizes!

Quando conseguimos criar uma vida atraente, todos nós queremos participar dela.

Da mesma forma, quando um lar transborda não só felicidade, mas também entusiasmo, todos os obstáculos podem ser vencidos.

Estar comprometido com o próprio casamento significa, também, ser generoso e gentil com seu parceiro.

NOSSO CLIENTE MAIS IMPORTANTE É O NOSSO CÔNJUGE

A generosidade é a maior de todas as virtudes, que deve ser aplicável a todos e, mais ainda, à nossa família.

Nosso “cliente” mais importante, nosso maior investidor, é nosso companheiro. É ele quem merece toda a atenção e o respeito possíveis.

Se as pessoas tratassem seus cônjuges como lidam com seus grandes clientes, certamente os casamentos não teriam problemas.

Todos nós merecemos um relacionamento feliz e amoroso e o matrimônio é, acima de tudo, uma aliança definitiva entre duas pessoas.

É a paixão desse compromisso que leva a uma vida feliz para sempre.

Nossos sábios ensinam que o relacionamento entre marido e mulher simboliza a relação do povo judeu com D’us.

Se o casamento se baseia em compromisso, amor e respeito, certamente levará à verdadeira felicidade do casal.

E, naturalmente, quando o casal é forte, a família é fortalecida. Quando as famílias são fortalecidas, assim também ocorre com a sociedade e o mundo, em geral.

Como faço para encontrar minha alma gêmea?

Dúvida comum para quase todo mundo: como faço para encontrar meu par ideal, ou seja, a minha alma gêmea, que poderá me acompanhar pelo resto da vida, se tudo der certo?

Na verdade, o que um homem ou uma mulher buscam para o seu “par perfeito” varia muito.

Em primeiro lugar, é claro que isso irá depender do que cada um tem como prioridade para si. Fora, claro, suas preferências pessoais.

Isso conta muito, principalmente quando estamos pensando em formar casais que irão conviver, para sempre.

A princípio é bom que ambos tenham valores, princípios e objetivos semelhantes. Caso contrário, eventualmente, em algum momento da vida do casal, isso poderá trazer problemas.

Estilos de vida que são conflitantes demais podem trazer danos irreversíveis com o passar do tempo.

Mesmo que, no início do relacionamento, o casal acredite que pode superar as diferenças por estarem envolvidos.

Apesar da atração física entre homem e mulher ser um ponto forte no começo, e possa, temporariamente, fazer com que essas diferenças pareçam “fofas”, depois, ao longo dos anos, a paixão e a atração física mútua acabam.

A “fofura” vai embora e dá lugar às diferenças marcantes que acabam surgindo como os principais obstáculos à harmonia conjugal.

Contudo, há algumas dicas gerais que podem ser aplicadas a homens e mulheres.

O casamento entre judeus

O ponto central desta questão é muito simples: o casamento nada mais é do que a união de duas almas.

Contudo, somente é possível essa união verdadeira e duradoura, com duas pessoas que são compatíveis.

O matrimônio, em seu sentido mais profundo, é sobre dois seres humanos que se encontram, sob a vontade Divina, com o objetivo de cumprir uma missão sagrada.

Da mesma forma, é importante que durante o casamento, o casal assuma mitsvot adicionais e refinem-se um pouco mais por meio delas.

Isso pode ser feito de vários modos: seja recitando mais capítulos de tehilim (salmos), praticando chéssed (bondade) com alguém, colocando tefilin ou mesmo acendendo as velas de Shabat e Yom Tov.

Nestas datas, o casal também pode receber convidados, no almoço e no jantar destes dias festivos, trazendo um pouco mais de alegria e conforto para essas pessoas.

A importância da gentileza ao escolher o seu par

Casal durante encontro: gentileza conta muito para poder definir sua cara metade

Sem dúvida, uma das dicas para encontrar seu par reside em seus gestos de gentileza.

Para isso, por exemplo, basta ver como seu pretendente trata os garçons ou funcionários de um restaurante.

Se a pessoa é muito boa ao falar com você, mas é deselegante ou mal-educado com o garçom, isso não é um bom sinal: retome sua busca por alguém que realmente valha a pena!

Cabe reforçar também que esta seleção tem que ter como base quem a pessoa é naquele momento de união.

Não adianta nada projetarmos em nosso futuro marido ou esposa aquilo que ele (a) não é ou pensar em transformá-lo (a) naquilo que a gente acha que eles podem ser no futuro.

O casal deve, acima de tudo, respeitar suas individualidades. Ninguém deve mudar suas características, sua personalidade, só para agradar o seu par, anulando-se.

Sendo assim, agindo dessa forma, o seu casamento, provavelmente, irá durar bem mais tempo após a atração e a empolgação do início do relacionamento tiverem passado.

Depois da paixão inicial, o que mantém um matrimônio vivo são os interesses compartilhados pelo casal e, mais ainda, seus valores compartilhados.

É por isso que, antes de começar um shiduch, é o momento certo para ponderar a respeito de suas próprias prioridades.

Vários pontos são importantes: vocês desejam ter um lar judaico? Isso é prioritário? Querem ter filhos? Eles serão criados dentro do judaísmo? Qual será o nível de religiosidade do casal? Esse pensamento é comum aos dois, ou seja, ambos são compatíveis neste aspecto?

Vale recordar: um lar judaico é o chamado “edifício eterno”. O marido e a esposa são os arquitetos desta estrutura magnífica.

É essencial que os parceiros neste projeto estejam de acordo com as dimensões e objetivos principais desta construção.

Família amorosa é um bom indício de sucesso

Um casal não pode ser formado com base em seu passado familiar. Mesmo tendo como apoio uma família boa ou uma considerada como “desestabilizada”.

Sendo um extremo ou outro, nada é garantia de sucesso ou fracasso em um futuro relacionamento.

Assim, nenhum candidato (a) a shiduch deve ser aceito ou desprezado somente por conta do seu passado familiar.

Há diversos casos em que pessoas maravilhosas acabaram saindo “ilesas” de famílias classificadas como “problemáticas”.

E, pelo contrário, existem pessoas que são ofensivas, até mesmo com sua esposa ou com seu marido, mas que, na infância, tiveram pais amorosos, calorosos, ou seja, uma família bem estruturada.

Porém, no final das contas, em nada influenciaram para o bom desenvolvimento delas na fase adulta.

Mas, claro, é muito mais agradável sabermos que a família do nosso pretendente é amorosa do que familiares que têm problemas.

É provável que uma criança que foi criada em um lar harmonioso e amoroso, com pais que se respeitavam, um ao outro, e seus filhos, estabelecerá, quando adulta, uma família que poderá prosseguir pelo mesmo caminho.

Do mesmo modo, não se pode descartar um provável shiduch por conta da aparência física ou mesmo da profissão da pessoa.

Também não se aconselha ficar esperando sentada o seu príncipe encantado.

Acontece muito de as pessoas ficarem escolhendo demais o seu par e não dão chance de conhecer alguém que pode se tornar seu futuro cônjuge. Por isso que alguns permanecem solteiros.

É claro que certas qualidades são muito importantes, porém ambos os lados devem estar dispostos a fazer concessões, principalmente, em relação às preferências que não são essenciais.

Há exemplos de qualidades que são “negociáveis”. Entre eles estão a aparência, opção de carreira, ponto de vista político, entre outros.

Ninguém é perfeito!

Com alguma frequência, ocorre das pessoas se surpreenderem, ao descobrirem que podem sim se sentirem atraídas e amarem alguém que não se encaixa exatamente em seu perfil idealizado anteriormente, de um “par perfeito”.

Vale sempre lembrar que: ninguém é perfeito!

Alguém que atende aos critérios principais e a grande maioria de suas preferências secundárias é uma pessoa que deve ser considerada seriamente para um futuro par.

Um ser humano pode até ser perfeito na teoria, gentil, doce, íntegro.

Contudo, se falta um bom diálogo entre o casal, então essa pessoa não é a recomendada para você.

Eventualmente, pode levar um certo tempo para que a química do casal apareça. Contudo, caso a pessoa seja, de algum modo, compatível com você, não desista de forma rápida.

É possível que depois de alguns encontros acabe ocorrendo a chamada faísca, que leve a uma atração mútua.

Porém, se não houver isso, é sinal de que se deve seguir em frente com sua procura.

Da mesma forma, isso não quer dizer que o amor profundo seja um pré-requisito para obter a sua decisão.

Significa, somente, que os dois devem gostar de estar na companhia um do outro. Há de se ter entusiasmo com a perspectiva de compartilhar um diálogo.

O amor verdadeiro pode e vai se fortalecer após o casamento.

Questões haláchicas que devem ser consideradas

Há algumas questões “técnicas” de acordo com as leis judaicas (Halacha), que devem ser consideradas ao se escolher o seu par.

A principal delas diz respeito a proibição dos Cohanim de se casarem com determinadas mulheres, ou seja, há algumas restrições.

Um Cohen, por exemplo, não pode se casar com uma mulher divorciada.

Do mesmo modo, de forma geral, se há interesse de algum Israeli se casar com uma mulher separada, é necessário que ela tenha recebido um get válido (carta de divórcio judaica) de seu casamento anterior.

Consulte o seu rabino se você tem alguma dúvida a respeito desse tema e tenha sucesso em sua busca! Mazal tov!

O que é um shadchan? Qual é a sua função?

O Shadchan (ou Shadchanit, no feminino) costuma ter papel fundamental nos casamentos judaicos. Mas, afinal quem são eles? Qual é a sua função? É isso que explicaremos agora.

A sua ocupação é das mais nobres: um Shadchan é um casamenteiro. É ele quem apresenta os pretendentes e organiza os primeiros encontros, após checar o perfil dos que desejam se conhecer, de suas famílias e, essencialmente, suas personalidades e seus costumes para tentar identificar, exatamente, quem combina com quem.

Os Shadchanim são pessoas extremamente populares na cultura judaica. Afinal, a responsabilidade de apresentar casais é sagrada.

A Torá nos ensina que D’us concebeu todos os animais com seus pares, exceto Adão, o único que foi criado sozinho até sentir a falta de uma companheira.

Então, D’us criou a mulher a partir do próprio Adão e a apresentou a ele. Assim sendo, o Todo Poderoso é considerado o Primeiro Shadchan da história.

Ao contrário do que se acredita, o Shadchan não é “especializado” em realizar encontros arranjados somente entre moças e rapazes religiosos. É sim especializado em identificar as características comuns e as que mais combinam com a pessoa.

Isso porque, neste contexto, não importa o nível de religiosidade, judeus e judias têm fonte numa mesma alma Divina que se dividiu em duas partes, uma metade masculina e a outra metade feminina.

Shadchanim têm sensibilidade aguçada para identificar possíveis casais

O Shadchan tem o dom e o talento para identificar isso e é o elo para reunir essas duas metades e ajudar a transformá-las de volta numa única unidade!

Após um cruzamento de dados, isto é, depois de verificar a compatibilidade de um possível casal, é que se inicia então o processo de “shiduch”, que é realizar o encontro das almas que estavam predestinadas uma à outra.

Ao perceber e entender que dois pretendentes têm muitas coisas em comum, o Shadchan entra em contato com os interessados, para sugerir nomes e explicar as características de cada um. Além do feeling para identificar “quem combina com quem”, o Shadchan se apoia em referências e preferências individuais, e até nos hobbies e costumes dos interessados.

Ao perceber que dois pretendentes têm compatibilidade, o Shadchan marca um encontro entre eles, normalmente em local público adequado para uma conversa privada entre os dois.

O casal sai por quantas vezes for necessário, até que tenham plena consciência se vão oficializar a união ou não.

Perfil do Shadchan

Shadchan não é somente uma pessoa religiosa. Se você alguma vez tentou apresentar um amigo seu para sua amiga porque você achou que eles possuem afinidades, saiba que este é exatamente o papel do Shadchan!

Há um conceito interessante no Judaísmo onde se fala que os judeus não namoram para se casarem e sim, casam-se para namorar.

A explicação é a seguinte: o mais importante antes do casamento é checar afinidades nas ideias e compatibilidades nos planos de vida do futuro casal e dos projetos de constituição de família.

É claro que a “química” é importante, mas a união sobrevive e se fortalece através da cumplicidade na busca dos mesmos objetivos.

O termo “Shadchan” está ligado à palavra “shiduch”, que tem o sentido de “compatibilidade”, já que o Shadchan busca essa combinação nos perfis a que se dedica.

Apesar de já estar programado nos Céus – mesmo antes de a alma descer para este mundo físico – com quem cada pessoa vai se casar, nem todos têm facilidade de achar seu/sua parceiro(a) tão rápido.

Muitas vezes, a cara-metade pode se encontrar do outro lado do planeta e precise ser apresentada por alguém que tenha ambos os contatos.

Ainda que o Shadchan costume trabalhar voluntariamente, é uma tradição oferecer-lhe uma remuneração. A tradição diz que esse reconhecimento do bem que lhes foi feito interfere diretamente no sucesso do novo par que está sendo formado.

É também uma compensação pelas horas de esforço cruzando os perfis, até identificar compatibilidades entre pessoas que podem, inclusive, morar em cidades diferentes.

Ser um Shadchan profissional, que tenha sucesso, é uma mitsvá que exige visão da natureza humana, determinação, criatividade e alguma aptidão de marketing.

Embora D’us já tenha determinado com quem iremos nos casar, nós não podemos simplesmente cruzar os braços e esperar que alguém venha oferecer um(a) noivo(a) na porta.

É preciso ir atrás para ajudar a nós mesmos ou a nossos filhos, incluindo aí contatar um Shadchan confiável quando chegar a hora certa para isso.

Consentimento de ambas as partes

A Torá determina que é proibido a um homem se casar com uma mulher até que ele a conheça. É necessário que ela “encontre simpatia aos seus olhos”.

A mulher também não deve se casar até que esteja madura o bastante para decidir se consente que determinada pessoa venha a se tornar seu esposo.

Ninguém, nem os pais, nem os Shadchanim têm permissão de tentar obrigar um compromisso.

O casal tem que sentir-se 100% confortável um com o outro e devem dar o seu total aval para que o casamento ocorra.